Futuros Possíveis/ Possible Futures

Arte, Museus e Arquivos Digitais

Esquecimento e conveniência / Oblivion and convenience

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A apresentação parte de um estudo de casos que fazem ecoar questões em torno dos supostos mecanismos que produzem certa obsolescência institucional e tecnológica observada nas sociedades hoje.

Dentre os casos a serem comentados, está o do acervo online da Casa das Rosas. Entre os anos de 1995 a 2000, a Casa das Rosas desenvolveu uma atividade pioneira, não apenas no que se refere à inclusão dos meios digitais como prática cultural como foi um dos primeiros espaços que utilizou a Internet como um campo de desenvolvimento de exposições e projetos artísticos, criando um diálogo até então inédito entre os acontecimentos nos espaços físicos e o ambiente virtual. O legado da Casa das Rosas constituído em cerca de 5 anos de atividades intensas na Internet (que naquele momento ainda engatinhava), talvez fosse hoje motivo de orgulho das ações do estado na cultura envolvendo mídias digitais. Espaço único no país naquele período, era respeitado por instituições como a Rhizome (EUA), Banff Center (Canada), V2 (Holanda) e Telepolis (Alemanha), tendo ocorrido colaborações importantes. Suas atividades foram cessadas de forma abrupta, o que colocou um fim em seu acervo online, justamente quando estas práticas se faziam relacionar com outras formas mais estáveis e mais amplamente aceitas de arte.

A discussão proposta envolve uma dimensão da tecnologia inevitavelmente pontuada por aspectos ideológicos e sociais – direcionados por vetores transitórios e/ou de oportunidade mercadológica.

Se uma manifestação cultural não é compreendida dentro dessa amplitude, ela pode ser sequestrada pelos seus meros aspectos estético-fetichistas mais aparentes – ou reduzidas a uma funcionalidade modernista. Colocar iniciativas artísticas dentro desse baú à deriva, se revela ideológico, de interesse conservador, ou de fato, uma estratégia de manutenção de poderes no campo da arte.

Interessa identificar os motores de um processo que gera obsolescências reincidentes e novos anacronismos. Parece soar Fala-se em apagamento.

As operações de apagamento hoje se dão dentro da lógica do copy & paste. Talvezos processos tecnicistas que regem as práticas do trabalho hoje estejam migrando para a cultura com rapidez maior do que pensamos, e a memória desses processos se esvai em ritmo similar. O que ontem era considerado uma atividade “de ponta”, reverte-se inevitavelmente num estado de coisas permeado pelo incômodo e pela conveniência ao esquecimento.

Lucas Bambozzi

<div style=”margin-bottom:5px”> <strong> <a href=”http://www.slideshare.net/futuros_possiveis/arquivo-museus-casadasrosas-rede-notes&#8221; title=”Lucas Bambozzi – Esquecimento e conveniência / Oblivion and convenience” target=”_blank”>Lucas Bambozzi – Esquecimento e conveniência / Oblivion and convenience</a> </strong> from <strong><a href=”http://www.slideshare.net/futuros_possiveis&#8221; target=”_blank”>Simposio Internacional Futuros Possíveis | International Symposium Possible Futures</a></strong> </div>

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