Futuros Possíveis/ Possible Futures

Arte, Museus e Arquivos Digitais

Arte digital, diálogos e processos / Digital art, dialogues and processes

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Muitos dos trabalhos que envolvem a arte, ciência e tecnologia colocam em evidência seu próprio funcionamento, seu estatuto, produzindo acontecimentos e oferecendo processos, se expondo também enquanto potência e condições de possibilidade. Os trabalhos não são necessariamente apresentados para fruição em termos de visualidade, ou de contemplação, mas carregam também outras solicitações para experienciá-los. Outras solicitações de diálogos, interações e de hibridizações, em vários níveis e também com outras referências e saberes, incluindo as máquinas programáveis e/ou de feedbacks, inteligência artificial, estados de imprevisibilidade e de emergência controlados por sistemas artificiais numa ampliação do campo perceptivo, oferecendo modos de sentir expandidos, entre o corpo e as tecnologias, em mesclas do real e do virtual tecnológico, como um atualizador de poéticas possíveis.

Entre as dificuldades na realização, exposição, leitura e experienciação desses trabalhos artísticos, me parecem o uso e o entendimento das estruturas específicas, novas interfaces e dispositivos e das distintas intervenções poéticas inerentes, e que muitas vezes enfatizam o processo em detrimento do objeto. Dificuldades também que se iniciam no estranhamento do uso de instrumentos digitais e suas lógicas operacionais, mas que hoje se diluem, no que diz respeito às suas utilizações e que se tornam cada vez mais recorrentes no uso cotidiano de máquinas, interfaces e utilitários, como computadores, navegadores, DVDs, câmeras digitais, celulares, GPS, sensores, etc.

É só na medida em que os artistas possam também experienciar as tecnologias é que vão poder começar a construção de projetos e trabalhos artísticos no campo da arte digital, muitas vezes pautados numa prática de criação coletiva. Com o computador, e outros dispositivos, isto não seria diferente, é só com a sua disseminação que se constrói não só as experimentações e processos, mas também se articula os colaboradores e/ou público para esses trabalhos, uma massa crítica. Temos então novo problema, que era distinto para muitos artistas: aonde conseguir esses materiais e equipamentos, como relacionar esses procedimentos e conhecimentos que não faziam parte de seus universos de referência iniciais e como manipulá-los, programá-los, hibridizá-los? Mas os trabalhos vão além das aparências e páginas de códigos, vão além dos dispositivos e interfaces e eventuais encantamentos -, trazendo a associação de universos complexos e na maior parte das vezes distintos, numa aproximação e coerência efêmeras, para trazer a sutileza dessas incorporações com novos olhares e conjugações.

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Many works involving art, science and technology bring to light its own functioning, its statute, producing events and offering processes, while also exposing themselves as potency and conditions of possibility. The works are not necessarily shown to fruition in terms of visuality, or of contemplation, but also demand other aspects to experience them. Other requests of dialogues, interactions and hybridizations, at various levels and also with other references and knowledge, including programmable machines and/or feedback, artificial intelligence, unpredictability and states of emergency systems controlled by artificial systems in an amplification of the perceptual field, offering expanded ways of feeling, between the body and technology, in blends of the technological real and  virtual, as possible poetics updater.

It seems to me that the use and understanding of specific structures, new interfaces and devices, and the different iinherent poetic interventions, that often emphasize process over object, are among the difficulties in the realization, exhibition, reading and experiencing of such artworks. Difficulties that also begin with the strangeness of the use of digital tools and their operating logic, but that today are diluted, regarding its uses and that become increasingly recurrent in everyday use of machines, interfaces and utilities, such as computers, browsers, DVDs, digital cameras, cell phones, GPS, sensors, etc.

It is only by experimenting with technologies that artists will be able to begin to construct digital art projects and artworks, often based on collective creation. With the computer and other gadgets, this would not be different, and it is only with their dissemination that experimentation and process is made possible. This is also necessary for the articulation of collaborators and/or audience for such works, in the development of critical approach to them. We have then a new problem, which was different to many artists: where to get these materials and equipment, how to relate these processes and knowledge that were not part of their initial fields of reference and how to manipulate them, program them, hybridize them?

However, such works go beyond appearances and code pages, and gadgets and interfaces, and eventual enchantments. They deal with the association of complex universes, often very different among them, with ephemeral approach and coherence, to convey the subtlety of these incorporations with new gazes and conjugations.

 

Gilbertto Prado

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