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Museus paulistas e seus documentos / Sao Paulo’s Museums and their documents

Nas últimas décadas, os museus transformaram-se e complexificaram-se tecnicamente. A face preservacionista que identifica essas instituições, perde espaço para as frentes de comunicação e pesquisa. Hoje, se fala menos de conservação do acervo e mais da sua apresentação para o público na forma de exposições de longa ou curta duração, suas itinerâncias e estratégias da ação educativa. Esse contexto de ampliação e atuação em múltiplas frentes reforçam as especificidades das instituições museológicas, mas parecem confundir as já tênues fronteiras entre arquivos, bibliotecas, centro de documentações e museus.

Os registros da atividade humana, em sua diversidade e complexidade, constituem o que denominamos de documento. Tecnicamente, documento é o conjunto da informação e o seu suporte. Documentos são elementos gráficos, iconográficos, plásticos ou fônicos pelos quais a ação humana é expressa e que para cumprirem suas funções em diferentes âmbitos – social, jurídica, científica, histórica, cultural, artística  - devem ser preservados, organizados e disponibilizados ao público.

Além do museu, há mais três tipos de entidades que têm o papel comum na guarda e difusão dos documentos: os arquivos, as bibliotecas e os centros de documentação. Essas instituições se diferenciam quanto ao tipo de documento que guardam e quanto aos procedimentos técnicos que empregam para organizar e descrever os seus acervos. O que define o documento de museu, arquivo, biblioteca ou centro de documentação é a sua origem e função.

Há um número significativo de museus do Estado de São Paulo, que possuem acervos arquivísticos e bibliográficos. Há alguns conjuntos documentais específicos, que estão na fronteira entre o manuscrito administrativo e o registro de um processo artístico e têm sido objeto de pesquisa, gerando reposicionamentos entre os setores dos próprios museus. Mas há, também, significativos conjuntos documentais depositados nos museus paulistas, que poderiam estar abrigados em arquivos ou bibliotecas dos municípios. É urgente debater e definir as responsabilidades em relação a esses acervos, tendo como parâmetros os marcos legais e conceituais e, principalmente, aprofundando o entendimento da natureza institucional dos museus na atualidade.

Renata Motta


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Renata Motta

Diretora do Sistema Estadual de Museus de São Paulo / Secretaria de Estado da Cultura. Doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU/USP.  Experiência na área de museus e gestão cultural. Trabalhou e realizou pesquisa para diversas instituições, como Fundação Bienal de São Paulo, Arte/Cidade, Fundação Victor Civita, Itaú Cultural e Santander Cultural; trabalhou como colaboradora do Paço das Artes/São Paulo, atuando nos projetos expositivos e editoriais dessa instituição. Desenvolveu atividades didáticas em história da arte e gestão cultural, na Escola da Cidade e na PUC-SP. Publicou em periódicos e livros, entre os mais recentes: “Museos de Arte en Brasil: entre lo moderno y lo contemporáneo” (Buenos Aires: Paindós, 2010) e “Entre o invisível e o visível” (São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura, 2011). Foi diretora do Instituto Sergio Motta, onde, desde 2000, coordenou diversos projetos em arte e cultura digital. Desde fevereiro de 2011 é Diretora do Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP), instância articuladora dos museus paulistas, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

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